
Ok, concordo com você nessa. Vou colocar essas três coisas na lista negra que acabei de inventar.
Então encare os presentes que ganhar dessa festa, cuja existência é genuinamente desconhecida por mim, também como de anos anteriores. Vou até ver se não descolo uns caramelos de chocolate para você. E tenho que concordar novamente, algumas amizades são mesmo os melhores presentes que poderiam existir, é bom valorizar isso. Espero que você goste da festa… se ela realmente acontecer, o que eu verdadeiramente não sei se vai.
Você é adorável quando está mentindo, Jess. Mas pode deixar, eu sei que vou gostar dessa festa que possivelmente não existe. E eu amo caramelos de chocolate, então, não tenha vergonha pra me dar alguns. Mas, o que quero dizer, afinal, é que com meus amigos estando por lá já será ótimo. Então, espero mesmo que você vá.

Aliás, fico feliz que não seja tão estranho conversar com você depois do que aconteceu e… Bem, aquilo foi algo que dá pra adicionar nessa lista de eventos constrangedores com facilidade. Ainda não sei o que deu em mim.
Combinado então, eu não deixaria você pagar um mico muito grande. Só não posso afirmar que minha ideia de humilhação é a mesma que a sua, afinal, já passei por tantas situações constrangedoras que às vezes até esqueço que certas coisas são motivo de vergonha.
Ah, desse jeito você acaba com minhas ideias de presentes. Mas tudo bem, sem poção para deixar os cabelos verde limão dessa vez. Vou ter que pensar em outra coisa.
Basicamente somos duas pessoas que não se dão bem com bebidas alcoólicas, jogos de desafio e danças exóticas. Acho que dá pra trabalhar com isso, juro.

Aliás, acabei de me tocar que, se eles realmente fizerem uma festa vou acabar ganhando um bando de presentes… É engraçado, digo, faz tempo que não ganho presentes. No geral meu pai se esquece do meu aniversário, então, fico mais por conta dos amigos. Ainda bem que tive sorte com isso. Não podia ter presente melhor que a amizade de Sirius, James e Peter. Ou a sua amizade, a da Lily, da Marls, Alice. A festa já será um presente bacana.
Mas por que o desânimo? Dizem que os dezoito são muito melhores do que os dezessete.
Hm, então se eu ficar sabendo de uma festa para comemorar seu aniversário, o que não ainda não aconteceu, pode deixar que vou. Mas se não houver nenhuma comemoração, vou te arranjar um presente de qualquer forma. Quero dizer, você merece algo por me aturar nas rondas noturnas. O que acha de uma poção bacana que mude a cor do seu cabelo? Pode ser algo mais chocante do que cor-de-rosa… Um verde limão, talvez.
Então, se ocasionalmente eu vier a ter uma festa surpresa na Sala Precisa ou algo do tipo, vou ficar muito feliz com a sua presença. Mas, seguinte, se você ficar sabendo dos meus amigos estarem planejando algo humilhante demais, por favor, me avise. Discrição é um trejeito que prefiro manter.

Verde não, poxa. Tenho aversão a tudo que remeta minimamente a sonserina. Melhor me trazer um chapéu de leão, sei lá… Algo menos chamativo que o cabelos verde-limão.
Obrigada, mas ainda estou decepcionada por não ter conseguido tingir ele novamente de ruivo. E acho que você ficaria muito bem com umas mechas cor-de-rosa e outras louras, realmente deveria experimentar. Se eu fosse você, levava esse conselho em consideração. É ouro puro!
Ele provavelmente não nasceu ruivo, tem até uma pesquisa evidenciando que apenas pessoas legais nascem com cabelos avermelhados.
Mas deixando de lado as cores de cabelo, ouvi por aí que seu aniversário está chegando. Confere?
Obrigado pela ideia, Jessica. Se eu precisar dar essa aprimorada no visual eu chamo você e Dorcas pra me dar uma ajuda. De fato, das pessoas ruivas que eu conheço, todas são legais, não há como negar.

Pois é, no início desse mês. Infelizmente ficarei mais velho. Talvez eu seja o único desanimado com isso, não sei. Aposto que Sirius, James e Peter vão fazer alguma coisa comemorativa. Eles são ótimos mentirosos, mas eu sou o mestre quando o assunto é mentir. Creio que eles faram uma festa, então, sinta-se convidada.
É uma longa e melancólica história, para falar a verdade. Mas resumindo: eu não prestei atenção quando McGonagall deu as instruções de como realizar um feitiço na última aula, e… Bem, você pode ver o resultado.
E o pior de tudo é que acabei deixando Doe com cabelos cor-de-rosa, também. Acho que vou para o inferno dos ex-ruivos quando falecer.
Caramba, você me assustou. Digo, seu cabelo está lindo, mas eu esperava uma ruiva pra fazer a ronda e… Bom, só não venha me culpar pela falta de costume. Mas, bem… Você fica bem loira e eu sei que Doe também dele ficar ótima com os cabelos cor-de-rosa. Só não faço o mesmo porque sou garoto. E porque não sou tão bonito quanto vocês duas.

Tomara que Você-Sabe-Quem não tenha nascido ruivo, então.
Pronto para nossa habitual ronda perigosíssima?

Por Merlin, Jess! Eu… eu… Por que está loira?
Havia um quê de perfeição naquele simples momento, e por alguns minutos Jessica estava realmente feliz por estar ali com Remus. O arrepio que sentia apenas foi magnificado quando o rapaz moveu o polegar até o centro de sua barriga, porém aquele ato também fez com que a jovem relaxasse. Até então ainda estava um tanto nervosa por aquela situação toda, mas seu nervosismo parecia estar lhe deixando à medida que o tempo passava. Apesar de seus batimentos cardíacos terem aumentado consideravelmente e de sua respiração ter tornado-se irregular, Grabowski sentia uma imensa vontade de permanecer ali com Lupin, e não demorou muito para esquecer-se completamente que o dono dos lábios que estavam em contato com os seus era seu colega monitor, para quem dançara de forma realmente constrangedora em um jogo típico de adolescentes.
A naturalidade daquela ocasião fazia com que uma sensação de que tudo estava bem se instalasse na estudante, porém tal sentimento não durou muito. Assim que os dois se levantaram e tomaram uma posição mais confortável ao sentarem, a dona das chamativas melenas cor de fogo começou a analisar aquela situação, o que poderia direcionar aquele encontro a um fim fatal e prejudicar a boa relação que tinha com o moreno até então. Embora aquele momento estivesse verdadeiramente agradável, a ruiva não conseguia evitar pensar demais sobre aquilo, e logo pegou-se repassando em sua cabeça tudo aquilo que experienciara alguns anos atrás, decidindo que não cometeria o mesmo erro duas vezes e que iria negar-se perder um amigo.
Com muitíssima dificuldade, a setimanista afastou sua face rosada do rapaz, mordendo o próprio lábio inferior em hesitação antes de abrir os olhos para fitar o grifano. — Não acho que isso seja uma boa ideia. — Custou a falar, visto que tentara escolher as palavras com extrema precisão. Imaginou que não precisava falar mais do que aquilo para tornar seus pensamentos claros, portanto manteve-se calada ao fitar o outro, sem saber ao certo como ele reagiria a aquilo. Jessica instantaneamente recolheu suas mãos, a fim de evitar que tudo aquilo ficasse ainda mais constrangedor, e abriu a boca para dizer mais alguma coisa, porém não conseguiu encontrar as palavras certas. — Me desculpe. — Foi a única coisa que conseguiu dizer após a quietude ter predominado o ambiente por um breve tempo.
Remus sempre havia sido uma pessoa muito sincera com relação aquilo que sentia por aqueles que estavam a sua volta. Diante de um beijo tão verdadeiro e do calor que sentia ao poder tocar Jessica da forma que fazia o deixava muito tranquilo, apesar da falta de calma de sua pulsação sanguínea. Se pensasse, Lupin certamente compreenderia que o frio de outrora já havia passado e que a neve que caía infinitamente não estava mais lá para contar histórias sobre os dois.
Contudo, a nevasca, de fato, tinha tido seu fim. O sol, morto pelo clima gelado, parecia iluminar os prados pálidos através do teor cinzento do céu e a neve que havia caído apenas pincelava de branco a paisagem antiquada dos terrenos de Hogwarts. Porém, Remus não se permitia parar com o beijo para notar que já poderiam voltar para o castelo sem a ameaça de serem soterrados pela neve. Lupin estava tão inconscientemente alheio ao resto das coisas que, assim que Jessica separou os seus lábios dos dela, o rapaz demorou um pouco o abrir os próprios olhos.
A mão que trazia Jessica para perto de si se afrouxou e, assim que a moça falou, Remus hesitou antes de tirar os dedos das costas desta. Seu olhar, completamente confuso, se desviou do de Grabowski e o grifano engoliu em seco, deixando a língua passar pelos próprios lábios que ainda formigavam, sentindo que, apesar de estarem separados, ainda estavam se beijando. Sua estrutura se contorceu e o corpo que palpitava de entusiasmo se entregou a uma angustia sincera. Levou uma das mãos a própria nuca e deu um suspiro silencioso. Remus parecia atordoado com ao cenário desastroso e sem palavras para tentar amenizar a grande besteira que já havia feito. Já acostumado com a rejeição, ele tentou aceitar a situação como ninguém jamais o faria, tomando distância da jovem e sequer ligando para o fato de ela estar com pena dele, da maneira que fosse. – Tudo bem. – Disse tentando esboçar um sorriso de compressão, sentindo os músculos das bochechas ficarem fracos e o falso sorriso custar a existir. – Eu te beijei, então não foi bem sua culpa. Eu é que sinto muito. – Admitiu procurando fitá-la e falhando com o gesto que procurava demonstrar a autoconfiança que ele não tinha.
Remus deixou o olhar deslizar pelo cômodo em que estavam e sentiu que não se arrependia de tê-la beijado, apesar do que havia acabado de acontecer. Percebeu que a neve não caia mais e deu um pulo para frente, ficando depressa de pé. Depois esticou um dos braços para Jessica e fez o seu melhor para não demonstrar tanto constrangimento na frente da jovem. Lupin era ótimo em esquecer-se de momentos ruins e faria disso seu aliado para não lembrar-se do ocorrido, ainda que não desejasse esquecê-lo.
(Source: lup-moony)